DISTINÇÃO DE SENTIDO NAS PALAVRAS JUSTO E INJUSTO.
Algumas vezes essas duas palavras expressam o caráter moral
das pessoas. Um homem justo é um homem reto, honrado, bom. O injusto é aquele
que vive quebrando as leis divinas. Outras vezes, estas palavras expressam não
simplesmente o caráter moral, mas relação
de justiça.
Nesse sentido, um homem justo é aquele com quem as demandas
da justiça são satisfeitas. Ele pode ser pessoalmente um injusto e legalmente justo. Se isto não fosse
assim, nenhum pecador poderia ser salvo. Não há um crente na face da terra que
não tenha sido pessoalmente injusto, merecedor da ira de Deus. Sendo ele,
portanto, injusto, Deus, através da obra expiatória de Cristo, declara-o legalmente justo, não moralmente, à vista de Sua justiça.
Quando, portanto, Deus declara
o injusto justo, Ele não o declara ser o que, na realidade, ele não é, mas
simplesmente declara que o débito dele, com relação à justiça, foi pago por
Outro.
Portanto, quando é dito que o pecado de Adão é imputado à
sua posteridade, não quer dizer que a humanidade toda estava presente
pessoalmente quando Adão pecou, ou que voluntariamente todos foram culpados de
seu ato. Mas esta imputação significa que, em virtude da união federativa de
Adão com os seus descendentes, o pecado de Adão é a base judicial da condenação da raça, de igual modo como a justiça
de Cristo é a base judicial da
justificação do Seu povo.
A doutrina da imputação tem sempre sido uma grande
dificuldade para o entendimento das pessoas. A mente humana tem sido torturada
na resolução deste problema.
A solução escriturística desse difícil problema tem sido
esta: Deus colocou Adão como cabeça federal-representativa da raça. Deus o
colocou sob prova não somente para si próprio, mas também para toda a sua
posteridade. Tivesse Adão mantido a sua integridade, ele e todos os seus
descendentes teriam permanecido sem pecado e teriam tido vida eterna, uma
comunhão imperdível com Deus, felizes para sempre! Como ele caiu do estado em
que foi criado, ele levou consigo toda a sua posteridade, de tal modo que a
penalidade dele passa a ser deles, também. Todos os descendentes de Adão,
passam, portanto, a ser, por natureza, filhos da ira.
Os males que a
posteridade de Adão sofreu não foram imposições arbitrárias, nem conseqüências
naturais da apostasia de Adão, mas imposições judiciais.
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